Escrevi um texto que não tem sentido algum, então darei a ele o nome de calopsita.

Acontece algo muito estranho comigo quando tenho insônia. Deito na cama, fico de bruços e com uma das mãos segurando o pescoço, me enrolo da cabeça aos pés em uma coberta felpuda que tem o desenho de uma garota vestida de cor de rosa que está tentando abraçar o céu. Então no momento em que aparentemente começo a adormecer, um som parecido com panela de pressão que teve seu pino levantado antes da hora, começa a ecoar na minha cabeça. A princípio tento me convencer de que é apenas o inicio do processo de relaxamento e diminuição dos pensamentos coerentes que antecede o sono, porém o som continua. Fico estranha, começo a calcular que, de 0 a 10, meu nível de loucura ainda se encontra numa posição não muito alarmante, e tento me concentrar em imaginar que estou voando sobre uma plantação de girassóis que na verdade são coloridos numa mescla de violeta e azul. Converso com algumas montanhas que falam compulsivamente sobre poses eróticas em formato de pessoas e têm o hálito tão ruim que lembra de longe enxofre. Mas toda essa imaginação fica estranha demais quando começa a chover, levanto os olhos para o céu, abro bem a boca para tomar água da chuva e começo a cuspir vespas coloridas que vão se agrupando e formando um arco íris infinito que nada mais é que uma extensa pista de skate. Pulo da cama. Mas não estou fora da cama, estou na verdade com a bunda colada ao teto, olhando pra baixo, enquanto minha versão sonambula levanta da cama e planta bananeira na parede do quarto. Tudo acontece em câmera lenta como se eu fizesse parte de um filme. Nesse filme, me olho no espelho e abraço minha imagem como se fosse um enorme bebê, ele tem a cabeça duas vezes maior que a minha e um corpo minúsculo, mas são os olhos que me assustam. No centro da minha íris vai surgindo um letreiro colorido que pisca sem parar, com letras vermelhas quem dizem: – nossos valores estão em conflito – então eu digo que quero comprar uma camiseta do superman e a luz fica verde, eu digo que não gosto de verde porque me lembra do palmeiras  e a luz simplesmente se apaga. Imagino com quantas garotas você transou nos últimos dias. Para quantas garotas você proporcionou o mesmo nível de orgasmo que me fez ser quem eu sou hoje. Sei que muitas delas são lindas e possuem o padrão de personalidade que eu nunca tive e que você sempre valorizou. Então me sinto como se estivesse entre todas essas garotas, segurando uma placa com letras pretas e fundo branco – me escolha – bem na altura do peito. Mas você levanta uma outra placa, com letras brancas e fundo preto, ela diz: – Já se passaram dez anos, você precisa esquecer -, então eu escrevo na sola dos pés – te amo nada babaca – e volto a dormir com a sensação de que esta tudo bem. Me enrolo na coberta e abraço a menina que está tentando abraçar o céu.

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Sobre detantopensarescrevi

Um dia acordei e estava espalhada, haviam palavras por todos os lados, e não tinha como junta-las, foi então que decidi escrevê-las.
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