Mais um clichê

Essas pequenas coisas que acontecem diante de nós, esses pequenos fatos tão íntimos e singelos, mas que, quando conseguimos nos abster da frenética correria do dia a dia por alguns segundos que seja; desperta em nós algo grandiosamente assustador: a percepção de que nem tudo nessa vida é desespero ou dor.  “A vida é uma existência curta e interminável” – frase que sempre considerei boa o bastante para, futuramente, estampar em uma camiseta ou fazer uma tatuagem, e quem sabe, talvez, considera-la ao pé da letra. Lá vou eu mais uma vez escrever sobre assuntos clichês, mas se o clichê nada mais é que um molde usado várias vezes para “criar” a mesma coisa ou ideia, não podemos ignorar a sua relevância, uma vez que, embora o primeiro impulso seja considerar o clichê uma repetição, a essência de cada repetição não pode ser apenas uma mera cópia, existe algo de singular no clichê. Na maioria das vezes é uma maneira fácil de tentar dizer o quanto estamos entendendo algo sobre a existência. Mas para tentarmos começar a compreender algo sobre a existência, é necessário antes admitir o quanto não temos a mínima ideia do porquê de estarmos aqui, existindo. Vislumbrar as pequenas coisas que acontecem diante de nós, compreendê-las em sua profundidade e magnitude, ao permitir a harmonia com o medo de que sejam apenas o que são: pequenas coisas. Mas pra quê simplicidade quando podemos ter toda a evolução humana em uma caixinha tecnológica bem fácil de manusear e de fácil transporte? Pacotes acessíveis de estilo de vida – só precisa vender sua essência para comprar abaixo do preço. Boas ideias, boa música, boa aparência, boa vida, tudo bem descrito e impresso em um complexo status de rede social. Marionetes sociais que gostam de brincar de cult, como uma criança que aos poucos aprende sobre a realidade do mundo, mas demora pra entender que a realidade é bem parecida com a intermitência de um arco-íris. Quando foi que começamos a restringir aquilo que enxergamos sobre o mundo? Não pode ter sido quando tivemos a ilusão de que já vimos tudo nessa vida, porque mesmo que já tivéssemos visto tudo, deveríamos querer olhar de novo só pra encontrar novos detalhes, novas perspectivas. A vida só está começando, ela começa todos os dias, fazendo com que todos os dias sejam pequenas vidas e não sei se isso é bom ou bonito, mas deveria ser essencial, e não desejo mais nada, além disso, para tentar começar a compreender algo.

Ouvi dizer que em tempos de outrora, o amor era medido não pela capacidade de exaltação mutua à egolatria; mas pela essência puramente simples de se permitir ser, apesar de. Mas como é mesmo que se diz “eu te amo” hoje em dia?

Anúncios

Sobre detantopensarescrevi

Um dia acordei e estava espalhada, haviam palavras por todos os lados, e não tinha como junta-las, foi então que decidi escrevê-las.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s