Uma analogia bobinha para a vida

Estou pensando seriamente em transferir para a minha vida, o critério que uso para correr. Geralmente, eu corro por volta das oito horas da manhã. O ar está fresco, uma brisa bate no rosto e bagunça meus cabelos, e indescritivelmente, essa mesma brisa parece preencher meus pulmões e eu fico me sentindo o próprio Forrest Gump, com vontade de correr sem parar por uns dois meses seguidos. Essa brisa enche meus pulmões de ar e me enche de um fragmento de vida diferente do que a gente vive normalmente, porque me dá vontade de ultrapassar todos os limites que me façam alcançar algum tipo de paz interior. E quando estou correndo, por alguns minutos eu consigo essa paz e vejo que a vida tem lá a sua beleza.

Os primeiros quinze minutos são cruciais, o ar começa a faltar, você encontra dificuldades para controlar o ritmo da respiração, e sente um impulso quase incontrolável de parar pra tentar recompor o ar. Nesse momento, eu me concentro e digo pra mim mesma “respire pelo nariz e solte pela boca e fique calma” e aos poucos começo a ter total controle sob o diafragma, e embora meu coração esteja batendo na garganta, a sensação de que meu cérebro vai saltar pra fora da cabeça começa a se dissipar.

Então depois de meia hora, a situação começa a ficar crítica, começo a sentir dores, as pernas começam a pesar uma tonelada, no mínimo, às vezes sinto umas pontadas na barriga, que até hoje não sei se acontece por falta de líquido, ou por respirar errado; e as veias que ficam nas têmporas parecem querer explodir. Nesse momento eu penso “essa dor vai ter que passar, porque eu não vou parar agora”.

Aos poucos, todas essas dores ficam em segundo plano. Olho a vista ao redor, geralmente composta por mato e vegetação; e imagino que estou correndo à beira da praia. O mar está agitado e a maresia me faz fechar os olhos e suspirar, como se todo dia eu me apaixonasse de novo pela natureza, pela vida, pelo aglomerado de células que constituem essa máquina biológica complexa da qual possuo poder e controle para movimentar e correr por ai, sem perceber que o principal objetivo ultrapassa, e muito, apenas uma bela forma física.

Às vezes, quando estou quase no final do caminho, olho pra trás, como se estivesse me certificando de que mais uma vez as limitações não vieram comigo; me sentindo orgulhosa de mim mesma porque eu não parei, eu não desisti, eu segui até concluir o objetivo, que por mais idiota que pareça, era apenas conseguir manter o meu tempo ou ultrapassá-lo.

Eventualmente, é nesse momento que penso como sou contraditória, já que eu não deveria fumar, e mais uma vez prometo para o universo que vou parar, só que eu não consigo viver sem um veneno pra minha alma. Ainda não.

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Sobre detantopensarescrevi

Um dia acordei e estava espalhada, haviam palavras por todos os lados, e não tinha como junta-las, foi então que decidi escrevê-las.
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2 respostas para Uma analogia bobinha para a vida

  1. Adorei….parece que senti em mim o que descreveu!

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