Casualidade aleatória do vazio

bscigarcake

Fui falar sobre o vazio e percebi que não dá pra falar de vazio sem se chegar a questões que acrescentam ainda mais questões, e que levam a improbabilidade. E numa hora dessas em que se tenta compreender o incompreensível apenas por teimosia, onde estão meus cigarros? Onde está à droga do remédio pra dormir que além de não fazer efeito, colateralmente aumenta ainda mais a minha aleatoriedade? Cadê o álcool dessa casa ou qualquer coisa que entorpeça minha mente? Acho que pessoas com síndrome do vazio têm fortes tendências ao vício, e eu ultimamente ando querendo me viciar um pouco. Exagero meu, não é verdade, não quero me viciar, porque jamais me perdoaria se um dia eu perdesse o controle sobre minhas ações, ou será que já não basta a falta de controle senti (mental)? Ou será que já não basta a falta de controle sobre as minhas pernas inquietas e sobre as palavras que saem compulsivamente? Não quero me viciar, só quero entorpecer um pouco a mente, talvez tornar a angustia mais sutil, dizem por ai que os pensamentos mais purificadores saem das mentes entorpecidas. Na verdade acho que não dizem nada disso, mas suponho que seja assim, e mais, suponho que uma mente entorpecida possa curar esse meu vício em pensar. Inclusive, já tentei fugir dos pensamentos, fugir de mim mesma pra fugir das pessoas, e de tanto tentar fugir acabei no mesmo lugar. E agora, pensando melhor, não consigo me lembrar de como perdi meus cigarros, talvez seja a falta de hábito, já que não fumo. Mas eles eram importantes pra parar de pensar no vazio e me distrair brincando de fazer desenhos com a fumaça, afinal, é sempre melhor a felicidade barata de divertir-se com fumaças de cigarros que um sofrimento em alto grau, e a distração, ela é sempre fundamental nessas horas. Mas por outro lado, a felicidade barata é boa inspiradora, mas a inspiração que nasce no sofrimento, ela é sublime. O sofrimento é a inspiração do vazio.

Mas embora eu também me distraia facilmente com nuvens coloridas de algodão doce, a aleatoriedade da minha mente, é de longe o principal motivo para o meu fraco desempenho como mímica de circo, e aquele macaquinho caixeiro viajante mercenário que estava apenas de passagem, já está atraindo meu público, com o número onde ele rouba notas de dinheiro das pessoas e usa metade pra se limpar e a outra metade pra enrolar pequenos baseados que são servidos após o show como saidera.

Notas de rodapé: Sempre serei melhor mímica de circo (nas horas vagas dançarina de kizomba) que escritora.

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Sobre detantopensarescrevi

Um dia acordei e estava espalhada, haviam palavras por todos os lados, e não tinha como junta-las, foi então que decidi escrevê-las.
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