A vida é sempre bela, de um modo ou de outro

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Sou uma pessoa doente. Essa é a justificativa. Sofro de uma doença imaginária, alimentada e desenvolvida meticulosamente em um cativeiro mental. Vivo num estado de permanente semi-desespero que me empenhei em manter, por medo de que não existisse nada além da angústia, ou ainda por medo de me arrepender de coisas que nem ao menos fiz. Algumas pessoas vivem contentes em saber que existe um limite para a satisfação, ou nem ao menos o notam, mas como posso me contentar, quando esse limite, por alguma razão, não me satisfaz? Os limites, as impossibilidades, às vezes soam como uma singela permissão para a desistência e sinto como se eu estivesse sempre aproveitando ao máximo essa permissão. Um exemplo disso, é que constantemente observo em mim, uma ansiedade contraditória, que consiste em saber que preciso encontrar um rumo digno para a vida, um sentido alternativo que preencha o tempo, de modo que eu não o sinta passar tão inutilmente; mas sigo procrastinando da maneira mais convicta e sórdida possível, talvez não por medo de obter um resultado negativo, mas sim pela possibilidade de simplesmente não obter resultado algum. O fato é que tal consciência fere diretamente meu amor próprio, e me deixa doente. E quando tomo consciência da minha doença, sinto uma vontade quase irresistível de lançar-me no mundo e designá-lo meu protetor, meu guia. E como deve ser bom viver neste mundo, de maneira desregrada, entregue ao acaso, quiçá hippie moderno nômade! Então, sinto até uma vontade de nunca mais voltar àquele cantinho/esquina da minha vidinha torpe, porque afinal, a vida é boa, mesmo que uma parte do tempo seja amargura. Mas no auge dos meus delírios mais intensos, sinto que beberia minha vida inteira no boteco de sempre, degustando cada segundo, trago após trago, ou ainda fumaria minha própria alma num último baseado solene, com certa jocosidade narcótica, consciente de que uma parte do tempo eu criei dramas desnecessários, e na outra parte encarei a vida com um ar de triunfo ingênuo e até mesmo infantil, facilmente classificado como esperança.

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Sobre detantopensarescrevi

Um dia acordei e estava espalhada, haviam palavras por todos os lados, e não tinha como junta-las, foi então que decidi escrevê-las.
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