A mancha no ombro direito

Beijo na nuca

Só deus sabe como foi difícil ficar tanto tempo longe dela. Não vou dizer que me arrependi de ter saído pelo mundo e a deixado pra trás, eu fiz o que tinha que fazer e se tivesse sido diferente, eu a teria odiado. Mas apesar de tanto tempo, naquele dia eu percebi pela primeira vez o quanto eu senti sua falta. A gente se encontrou no estacionamento do shopping, eu a reconheci quando ela ainda estava de costas, parada, balançando as pernas inquietamente e mexendo no celular, como ela dizia “a síndrome das pernas inquietas”. Na mesma hora senti um frio no estômago e fiquei indeciso se devia me aproximar. E se ela estivesse casada e esperando o marido? Mas eu estava ali, alguns metros atrás e de repente precisava falar com ela, e fui a sua direção. Quando estava bem perto ela se virou e me olhou primeiro num olhar desafiador, como que não acreditando na minha imagem ali na sua frente, depois um largo sorriso foi tomando forma. Ficamos ali por alguns segundos, com os olhos brilhando e o passado se encarando, e em seguida ela me abraçou e eu cheirei seu pescoço como sempre fazia e por deus ela ainda usava o mesmo perfume! Foi então que aconteceu o milagre, os carros e as pessoas ao nosso redor nada mais existia, algo que nenhuma outra jamais me fizera sentir estava queimando por dentro de novo. Nenhuma tinha aquele cheiro doce, nenhuma tinha aquela mancha no ombro direito que eu beijava dizendo que se a gente se perdesse eu a encontraria pela marca, doido de amor. Beijei-a tão sinceramente que me vi dizendo – entra no carro e vem comigo? – e ela entrou. Ficamos em silêncio durante o caminho pra minha casa, ela me olhava sorria e baixava os olhos. Eu só pensava em tê-la nos braços. Chegamos e ficamos alguns segundos ali, no carro, existiam tantas palavras a serem ditas, mas nenhuma delas importava não naquele momento. Eu abri a porta do carro pra ela, como fazia sempre e ela me dizia que só eu conseguia ser tão gentil e cafajeste ao mesmo tempo. Puxei-a contra mim, senti seu coração acelerado, sua respiração ofegante e sua boca linda que sempre foi tão minha me dizendo baixinho “não acredito que ficou tanto tempo longe…” segurei sua cintura fina e ela estremeceu. Comprimi meu corpo contra o dela, mas ainda não podia chegar perto o bastante “vamos pro quarto?” “sim”. Beijei-a suavemente, ela chorou, eu sorri e a virei suavemente, beijei sua nuca, seus cabelos macios entre os meus dedos, ela se comprimia ainda mais contra mim, eu sentia um frenesi tão insuportável que precisava desesperadamente estar dentro dela. Ela se virou e desceu os lábios bem devagar pelo meu corpo, em beijos suaves, até encontrar meu membro duro, meteu-o na boca e eu gemi alto. Um momento depois ela estava em cima de mim, com aquele corpo que parecia envolvido em mel de tão doce, eu estava dentro dela, ela estava ao meu redor e eu não era capaz de definir onde ela terminava e eu começava, éramos um de novo. Quando eu pensava que não suportaria mais tanto prazer, tudo recomeçava, em ondas deliciosas.  Fizemos amor durante toda a noite. Depois conversamos, sobre tudo e sobre nada, lembrando o namoro de adolescente quando nos encontrávamos escondidos no escritório do meu pai, fumávamos um baseado, fazíamos amor e falávamos sobre conhecer o mundo, surfar, fazer biologia e cuidar da natureza, morar na praia. Ela me dizia que nunca tinha encontrado olhos como os meus, que eram verdes, mas tornavam-se azuis quando olhavam pra ela. Eu ria alto. Ela me olhava com aquele olhar de quem sempre tem uma piadinha na ponta da língua. E a vontade de ficar ali pra sempre… Eu só torcia pra que não amanhecesse, por favor, que não acabasse…

Alguns momentos não foram feitos pra acabar, por isso existe a lembrança e algumas pessoas não foram feitas pra serem esquecidas. Eu sei que eu devia ter pedido pra ela ficar, mas assim como eu não fiquei há anos atrás, talvez ela também não ficasse, e fui tão covarde que fiquei apenas ali, com a sensação de que o grande amor da minha vida estava indo embora e eu não estava fazendo nada. E eu sei que vou ter outros amores, sempre foi assim e eu sempre procurei pela mancha no ombro direito.

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Sobre detantopensarescrevi

Um dia acordei e estava espalhada, haviam palavras por todos os lados, e não tinha como junta-las, foi então que decidi escrevê-las.
Esse post foi publicado em Amor, Conto, Distância, Querer, Saudade, Sentimento, Sexo, Tempo. Bookmark o link permanente.

2 respostas para A mancha no ombro direito

  1. milenaanjo disse:

    Uau!! Li o texto prendendo a respiração! rs

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