O valor de um não

 

Às vezes as melhores coisas são aquelas que não aconteceram. Justamente por elas continuarem em algum lugar da memória (existe memória para o que não aconteceu?) do jeitinho que foi imaginado, como um filme com final feliz. É estranho perceber que muitas vezes, o não acontecido é mais valorizado por nós.

Um “não” tem o sabor de desafio, de vontade, de birra mesmo eu diria. Não gostamos de recebê-lo e mais, queremos a todo custo provar o contrário, provar que podemos e o querer poder nos instiga. Queremos experimentar daquilo que a nossa imaginação criou, e não aceitamos a impossibilidade. O resultado disso pode ser uma frustração desnecessária.

Muitas vezes temos prazer em olhar para aquela pessoa que nunca conquistamos e mesmo assim continuar numa insistência vã que nada mais é do que a busca por autoafirmação do ego. Isso nos impede de ver outras possibilidades, talvez não tão atraentes por serem fáceis demais, e deixamos escapar algo que poderia ser real.

Talvez fosse mais razoável apenas levar o “não”, deixá-lo de lado e seguir a vida. Encarar com competência nossas decepções. Mas desconfio que não estejamos preparados para o que é simples demais, queremos aquilo que está no ápice do nosso desejo, o que é simples não nos satisfaz por completo, gostamos do sofrimento e do desafio permanente.

Se trocássemos os amores impossíveis por amores fáceis e reais as coisas seriam mais simples. Mas nem sempre o caminho mais fácil é o melhor, acho que existe uma necessidade de eterna exposição da alma, de eternos porquês e interrogações. De fato, os melhores momentos de uma vida podem se resumir aqueles inexistentes, principalmente porque eles mantêm a perfeição imaginada o que de certa forma torna-se uma frustração evitada.

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Sobre detantopensarescrevi

Um dia acordei e estava espalhada, haviam palavras por todos os lados, e não tinha como junta-las, foi então que decidi escrevê-las.
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2 respostas para O valor de um não

  1. Eu sempre tive apreço pelo impossível. Na época da escola eu começava o ano caçando por que eu iria me apaixonar e sofrer durante o ano. É o masoquismo desejado, buscado, procurado. Hoje eu me lembro disso que me chamo de doente, mas não aceitaria mudar uma vírgula, pois o que está no passado ficou no passado e serviu para que de certa forma eu podasse e moldasse a maneira que sou hoje e a maneira que valorizo coisas que antes passavam despercebidos.
    Parabéns pelo texto Fabi, lindo como sempre e com uma mensagem muito positiva.

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