Seios politizados

Por Fabiana  Silva

Quando penso na metamorfose cultural que está havendo no Brasil, inevitavelmente e infelizmente a primeira coisa que me vem à cabeça é a promiscuidade, principalmente feminina. E foi a pensar sobre isso que eu li uma reportagem intitulada “Marcha das Vadias”. Não posso negar que minha mente preconceituosa imediatamente relacionou esse titulo, que mais parece música de funk, a qualquer tipo de reivindicação de mulheres profissionais do sexo ou “cantoras funkeiras” lutando por direitos, como reconhecimento artístico ou cultural. Perdoem-me a ignorância, mas esse movimento não estava registrado em minha memória.

Dando continuidade a leitura eu descobri que se trata de um movimento que teve inicio no Canadá e que protesta contra a ideia de que mulheres vítimas de estupro pediram por isso devido a sua vestimenta ou falta de, e me parece que o estopim foi o infeliz comentário de um policial que afirmou que as mulheres deveriam evitar se vestir como vadias surgindo então o nome. Para minha surpresa, também descobri que a marcha se dá por mulheres vestindo roupas provocantes como saias, lingerie, blusinhas transparentes e algumas mais liberais não usam nada. Digo surpresa porque pessoalmente eu acho que fazer uma marcha como essa e com esse nome é uma afronta à dignidade.

Não estou dizendo que essa seja uma pseudocausa, ao contrário, não há o que contestar em relação ao motivo, sou completamente contra a violência em qualquer nível, inclusive o estupro. Mas essa causa parte de um pré-conceito com relação à forma de se vestir das mulheres que sofrem e estão propensas a sofrer esse tipo de violência, logo eu me pergunto, caso isso não seja um pretexto para exibir seios politizados, sair às ruas seminuas com cartazes de protesto não seria o mesmo que gritar para os pré-conceituosos: “Ei vejam somos vadias e agimos como tal para provar que não somos”. Pode parecer exagero, mas quando eu saio de casa e me deparo com uma mulher seminua na rua é o que posso deduzir.

Vou ilustrar esse raciocínio de outra maneira. Suponhamos que a história da cantora funkeira que luta por reconhecimento artístico e cultural fosse real. Por qual direito ela lutaria indo ao baile funk sem calcinha e dizendo frases como “eu danço até o chão e a buceta continua sendo minha”? Direito de ser reconhecida como uma representante da mais bela arte ou cultura?  Creio que com isso, ela está apenas futilizando, aliás, o funk já foi institucionalizado, pode ser considerado cultural. Não preciso nem citar que isso é degradante, pois me parece que apelar para o escroto não só é normal, como desejável para a massa vulgar e baixa.

Não estou dizendo que não podem agir dessa maneira. Se gostam de usar uma saia que não tampa nada e fazendo referencias ao sexo enquanto dançam,ou um shortinho tão colado que separa exatamente toda a demarcação das partes baixas de forma escancarada, ou se querem ser sensuais e acabam sendo vulgares, isso é problema de cada uma. Não deixa de ser um direito e andar sem calcinha por ai não chega a ser crime.

Também não sou contra a marcha das vadias, eu só acho que o feminismo de antes de fato era relevante, quando as mulheres lutavam contra uma ordem conservadora que as excluía do mundo público, contra a impossibilidade de voto ou contra constituintes que não consideravam a mulher um individuo dotado de direitos. Continuo achando o feminismo de hoje relevante, mas aquele que luta por igualdade entre homens e mulheres, aquele que luta contra pré-conceitos como esse que embasa a tal marcha, mas de forma efetiva, e não um feminismo que se identifica com um evento, que da forma como é feito é de péssimo gosto.

Eu sou a favor da mulher se vestir da maneira que quiser provocante ou de gosto duvidoso e não tenho nada contra o nu, só não vejo como esse tipo de artifício possa chocar e chamar atenção positivamente para suas reivindicações. Estímulos sexuais explícitos publicamente, sobretudo, neste contexto geram uma banalização do que é direito e liberdade, e principalmente da imagem da mulher. O Feminismo já foi mais digno de crédito com seus discursos de caráter intelectual, filosófico e político.

Leia também: Analfabetismo político e O que você faz com seu voto?

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Sobre detantopensarescrevi

Um dia acordei e estava espalhada, haviam palavras por todos os lados, e não tinha como junta-las, foi então que decidi escrevê-las.
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3 respostas para Seios politizados

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