Em estado de saudade

Por Fabiana Silva

E tem aquele dia que eu acordo sentindo uma saudade absurda, daquelas que batem com força. Às vezes penso que é saudade de mim, ou de um eu que nunca fui, pode isso? Uma saudade indefinida que nem sei direito de onde vem como se fosse de um elo que se quebrou e se perdeu. Tenho saudade de escrever em terceira pessoa…

Uma vez li algo sobre saudade que me chamou atenção: a saudade se combina com outros sentimentos e procria-se, saudade somada à solidão é dor, já saudade somada à esperança é otimismo. Além disso, a saudade pode ter cheiro, rosto e até nome. É uma recordação do que passou daquilo que se sentiu e nunca mais sentirá ou do que nunca mais reviverá. Saudade também é uma lembrança nostálgica.

Saudade de quando eu pensava que a amizade era pra vida inteira, pensava não, tinha certeza e jurava isso com toda força. Fico pensando, quando foi que me perdi no tempo? Acho que foi quando ouvi aquela frase: E segue a vida… Mesmo que pessoas importantes não façam mais parte dela, segue a vida, mesmo que seja humanamente impossível manter todos que fazem parte do meu apreço por perto por todo o tempo, segue a vida…

Eu costumava dizer para o primeiro garoto que amei: Seus olhos são verdes, mas quando me veem ficam azuis, e ele cheirava meu pescoço, elogiava meu perfume e me dava mordidinhas de leve enquanto me levava de carona em sua bicicleta. Sinto saudade de quando era ingênua o bastante para achar que o primeiro amor duraria pra sempre.

Mas o pior tipo de saudade é aquela que tem tornado meu dia estranho, como se eu estivesse em um plano diferente, uma angústia no peito fazendo faltar o ar. São dias que nem eu me acho.  Penso em voltar ao passado e reparar o que não tem reparo, talvez resgatar palavras que nunca disse. É uma saudade de coisas que não vivi. Sabe a pergunta que insiste em perseguir os pensamentos: E se tivesse sido de outro jeito? Então…

Não há nada parecido com esse tipo de saudade, quando você cria uma serie de finais para uma história que nem ao menos começou. É como se você marcasse encontros com aquela pessoa que nem ao menos sabe onde está, e esperasse que seu mundo ficasse menos vazio se tivesse mais dela. Esse tipo de saudade machuca o seu presente.

De fato saudade dói e isso eu até entendo, mas saudade do que poderia ter sido? Saudade do que nunca foi e nunca será? Isso não é saudade, é excesso de concentração no vazio. Aliás, é uma persistência em acreditar que o que poderia ter sido no passado é melhor que o que está sendo no presente. Mas veja bem, se fosse melhor mesmo, não teria sido?

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Sobre detantopensarescrevi

Um dia acordei e estava espalhada, haviam palavras por todos os lados, e não tinha como junta-las, foi então que decidi escrevê-las.
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