Abraço cibernético

Por Fabiana Silva

Hoje em dia é assim, sentiu saudade de um amigo você entra em uma rede social e digita: Como faço pra te abraçar? Pode ser pela internet? Nessas horas penso como a tecnologia não está avançada o bastante, se estivesse meu computador já teria um botão de tele porte, seja para usá-lo em momentos de saudade descomedida como para conhecer aquele amigo virtual tão especial que mora do outro lado do mundo.

As redes sociais trazem consigo a questão do exibicionismo e pessoas se escondendo atrás de máscaras, frutos de toda liberalidade, mas não é sobre isso que quero falar. De fato a vida “online” é viciante.  Você supostamente tem seus amigos e família sempre por perto, assim como conhece excelentes pessoas e incrivelmente torna-se muito fácil manifestar o seu apreço por elas, assim como também acontece o contrário.

Existe um comportamento nas redes sociais, que me chama atenção. A facilidade em se relacionar com as pessoas, em manifestar sentimentos e desejos, o que não é tão fácil na vida “real”. Isso acontece porque em redes sociais não existe convivência, e quando a pessoa te perturba você pode bloquear, quando ela é chata você pode excluir ou ignorar, você jamais terá que conviver com seus defeitos e manias.

Por outro lado, esta tecnologia não deixa de ser maravilhosa! De que outra maneira você poderia manter conversas e relacionamentos com uma pessoa que está a quilômetros de distância? Se conectar ao mundo de maneira livre e criativa? Compartilhar informações, conhecimentos e objetivos comuns? As redes potencializam a comunicação inclusive no âmbito profissional.

Mas quando me vejo nesse emaranhado de opções, amizades velhas e novas, informações, rapidez, momentaneidade, conexões, sinto uma nostalgia de amizades ao vivo e em cores! Daquelas que batem no seu portão às 23h quando você se preparava para dormir, apenas pra jogar conversa fora ou falar de desilusões. Que fica durante horas, falando bobeira enquanto jogam um baralho e bebem cerveja. Que cutuca, irrita, implica, briga, mas não sai da sua casa. Dessas que compreendem que não esta nada bem contigo, apenas por um olhar. Aquele amigo que poderia ser seu irmão, não fosse às mães diferentes.

Não estou dizendo que esse tipo de amizade não se desenvolve via internet, mas esse contato e vivência se perdem cada dia mais. Existem estudos que indicam que a internet potencializou a criação de amizades tanto online como offline. Entretanto, as amizades geradas pela internet são mais fracas do que aquelas nascidas fora dela, mas é claro que toda regra tem sua exceção.

O fato é que as redes estão ficando maiores e diversificadas, pesquisadores dizem que até nosso cérebro já sabe o tipo de conversa que acontece e esta é uma adaptação evolutiva. Sendo assim a internet pode mudar tanto o conceito de amizade, quanto o próprio cérebro.  Isso me leva a concluir que toda essa hiper-socialização, torna improvável a minha idéia de criar um botão de tele porte para os computadores. Antes com certeza será inventada uma maneira de se abraçar ciberneticamente, já que mais forte que a saudade será a vontade de estar online.

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Sobre detantopensarescrevi

Um dia acordei e estava espalhada, haviam palavras por todos os lados, e não tinha como junta-las, foi então que decidi escrevê-las.
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